Resenha: Kill Shelter – Asylum (2022)

Kill Shelter - Asylum

Data de lançamento: 15 de julho de 2022
Selo: Metropolis Records (América), Manic Depression (Europa)
Gênero: Darkwave

Tracklist:
01. Time Will Come
02. In This Place ft. Stefan Netschio (Beborn Beton)
03. Queen Of Hearts ft. Valentina Veil (VV & The Void)
04. Buried Deep ft. Antipole
05. The Room (Eur. version) / Crossing Borders (Am. version)
06. The Necklace ft. Agent Side Grinder
07. Feed The Fire ft. Ash Code
08. Cover Me ft. William Faith (The Bellwether Syndicate)
09. All Of This ft. Ronny Moorings (Clan Of Xymox)
10. A Shadow Of Doubt (Eur. version) / The Cage (Am. version)

Line-up:
Pete Burns – vocais, guitarras, contrabaixo, sintetizadores, programação

Participações:
Lynsey Burns – back vocais

Pete Burns - Kill Shelter

Texto: Bruno Rocha, o Escriba do Doom

Cravo logo no comecinho deste artigo: eis aqui um dos grandes lançamentos de 2022, de longe! Pete Burns e o seu Kill Shelter lançaram recentemente seu novo álbum de estúdio, Asylum, uma seleção de inspiradas composições que mantém a atmosfera Dark do projeto em alta o tempo todo, de maneira empolgante e quase sem nenhum defeito. Além disso, a palavra “seleção” também pode ser aplicado ao fato de que alguns dos melhores representantes do Darkwave da atualidade, que vão da lenda Ronny Moorings até a galera do Ash Code, participam deste lançamento, conferindo a este disco um brilho ainda mais vivo do que o que ele já teria se Pete Burns o tivesse gravado todo sozinho.

Bem, oficialmente, Pete Burns de fato fez tudo sozinho, praticamente. Afinal, ele é o único integrante do Kill Shelter e é o responsável pelos vocais, guitarras, contrabaixo, sintetizadores e programação, sem contar que ele também foi o produtor de Asylum, cuidou de toda a parte técnica e ainda por cima foi o criador da arte de capa. É um “workaholic”, como ele mesmo se já se definiu em algumas entrevistas. Para não dizer que ele gravou 100% de tudo que se escuta no disco, descontando-se as participações especiais, Lynsey Burns registrou alguns back vocais. Mas todo esse volume de trabalho, ao meu ver, não representaria nada musicalmente caso o rapaz não fosse dotado de um abençoado talento para compor excelentes peças musicais Dark, combinando melodias de guitarras com camas de teclados em prol da criação de um ambiente por vezes dançante, por vezes sufocante, sempre empolgante.

Uma guitarra levemente distorcida conduz com vigor a faixa de abertura, Time Will Come, que é cantada pelos vocais graves e profundos de Burns, antes que o primeiro convidado da festa, o vocalista da veterana banda alemã Beborn Beton, Stefan Nietscho, chegue para cantar a segunda faixa, a urbana e noturna In This Place, que ganhou videoclipe. Um ótimo lead de teclados é o destaque da ótima Queen Of Hearts, que conta com a participação de uma das novidades do cenário Dark da última década, Valentina Veil, do VV & The Void. Um já conhecido parceiro do Kill Shelter, Karl Morten Dahl e seu Antipole, se une novamente ao seu homólogo britânico para entregar um dos grandes destaques do disco, a tensa e fria Buried Deep.

Chegou a vez dos suecos do Agent Side Grinder se juntar à celebração Dark na faixa The Necklace e seu cheirinho de Depeche Mode que nunca faz mal a ninguém. E essa também tem videoclipe! A cadenciada e imponente Feed The Fire traz consigo o pessoal do Ash Code para dar aquele gás a mais que o ouvinte necessitará antes de adentrar na sombria Cover Me, na qual a cama de teclados dá todo o diferencial negro que esta faixa exibe por trás da voz do veterano William Faith, do The Bellwether Syndicate e do Faith And The Muse. Para encerrar os trabalhos, o rei e criador da porra toda, Ronny Moorings (dispensa apresentações) chega para abençoar o Kill Shelter na faixa All Of This. Bem, honestamente, esta é a faixa menos marcante do disco (cá pra nós e pro povo da rua, assim como alguns dos recentes lançamentos do Xymox, não é?), mas nem por isso ela derruba a qualidade da obra como um todo, de verdade. E Ronny Moorings é Ronny Moorings. Basta.

Detalhe: Asylum foi lançado em duas versões diferentes, uma para a América e outra para a Europa e o resto do mundo. A versão americana do disco, disponibilizada pela Metropolis Records, conta com as faixas Crossing Borders e The Cage, ambos interlúdios que servem para dar aquele drama a mais no disco. Já a versão europeia, lançada pela Manic Depression Records, traz no lugar delas duas as faixas The Room e A Shadow Of Doubt, que cumprem a mesma função.

Muito se debate até hoje sobre a renovação da cena Dark e também sobre o culto à nostalgia oitentista. Bandas como o Kill Shelter, bem como algumas das bandas e artistas convidados para tomar parte em Asylum, mostram que é possível demais aliar a tradição musical Dark oitentista com elementos contemporâneos, capaz de manter a essência sombria da música sem necessariamente estagnar no tempo ou se sentir obrigado a seguir ipsis litteris o que as bandas veteranas faziam. Gente como Pete Burns está no mundo hoje para garantir que a nossa festa Dark jamais se encerre, que possamos estar sempre aproveitando novos nomes que, com muito talento e inspiração como Pete, estarão sempre compondo ótimas peças musicais para embalar as nossas celebrações ao obscuro e para servir de trilha sonora para os nossos sonhos mais sombrios. Kill Shelter é uma banda necessária para isso e Asylum é um compêndio de interessantes nuances góticas do seu princípio até seu fim.

SIGA O KILL SHELTER:
Email: killshelterofficial@gmail.com
Spotify: https://open.spotify.com/artist/1hl06hvbtecgkhML5iVf5B
Bandcamp: https://killshelter.bandcamp.com
Facebook: @killshelterofficial
Twitter: @killshelterband
Instagram: @kill.shelter
Web: www.kill-shelter.co.uk

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